Coletor de Mirassol é campeão amador da 100ª São Silvestre

​A 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, disputada em 31 de dezembro pelas ruas de São Paulo, ganhou um capítulo especial escrito por um representante do interior paulista. Ademir de Oliveira, 38 anos, morador de Mirassol (SP) e coletor de lixo em São José do Rio Preto, conquistou o título de campeão amador masculino da prova, cruzando a linha de chegada à frente de milhares de corredores não-elite e transformando anos de trabalho pesado e treinos disciplinados em um resultado histórico.

Conhecido como “Ademir Raio”, ele percorre cerca de 35 km por dia durante o expediente na coleta de resíduos, parte desse percurso correndo atrás do caminhão, realidade que, com o tempo, se tornou base de seu condicionamento físico e resistência.

coletor de Mirassol campeão São Silvestre
(Foto: Divulgação)

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Da Kombi lotada ao título da São Silvestre

A relação de Ademir com a São Silvestre não começou agora. Ele lembra que esta foi a quarta participação na prova, e a primeira vez em que largou tão próximo dos atletas de elite.

A memória da estreia é um pouco engraçada: “A primeira vez nós fomos… vai, foi uma viagem engraçada. Fomos de perua Kombi em seis pessoas, foi bem dizer bate e volta. Viaja uma noite inteira, porque a prova antigamente era cedo, às 8 horas. Acabou de correr lá e pau de novo, voltou pra casa de Kombi. Chegamos acho que duas horas da manhã aqui em Mirassol”, conta, relembrando a batalha.

Dessa primeira experiência até o título amador em 2025/2026, há uma trajetória construída na base do convite, da descoberta e da persistência. “Eu trabalhava na coleta, aí entrou um cara que praticava corrida. Nós trabalhando juntos, ele me chamou pra participar de uma prova aqui na minha cidade. Fui, sofri bastante, mas gostei. Aí já comecei a fazer um treinamento de corrida com ele e de lá pra cá nunca parou. Já se faz 12 anos que eu pratico o atletismo. Tamo aí, na luta!”, relembra.

Treino de profissional conciliado com a rotina de trabalhador

O desempenho na São Silvestre não é obra do acaso. Além da exigência física da coleta, Ademir mantém uma rotina de treinos estruturada, que precisa conviver com a jornada de trabalho. “Hoje, geralmente, eu faço três treinos dentro da semana. Faço treino mais de velocidade, mais intervalado, na terça e na quinta. Aí o longão de domingo não pode faltar”, explica.

A conciliação com o trabalho é planejada. “Na coleta eu chego cedo em casa, tem dia que uma hora já tô em casa. Aí dá tempo de descansar, de me preparar bastante para a sessão de treino. Vai conciliando o trabalho e o treinamento ao longo desses anos”, detalha.

Ainda segundo o corretor, a disciplina virou regra: são três sessões semanais com ritmo de atleta profissional, mantendo pace na casa de 3min10 por quilômetro, marca que o coloca num lugar de destaque.

Foco no tempo, surpresa com o título

O curioso é que, na largada da 100ª São Silvestre, o objetivo principal de Ademir nem era a vitória na categoria amadora, mas sim o recorde pessoal nos 15 km. “Eu fui lá mesmo pra buscar meu melhor tempo. Na última edição eu fiz 51 e pouco na São Silvestre, e esse ano eu fui pra bater um RP”, conta. A prova de 2025/2026 teve um percurso levemente maior, mas o plano foi cumprido: “Geralmente eu passei os 15 km para 49 e 30 e pouco”.

O título, na prática, foi descoberto depois. “Eu nem sabia que estava no primeiro lugar, porque eu já tava correndo junto com os elites. Já na largada ali, na hora que passou o pontilhão, eu já tava no meio dos elites, bem próximo”, lembra.

Largando no pelotão premium, mais à frente, ele evitou o congestionamento comum a quem sai muito atrás e pôde encaixar o ritmo desde o começo. “Durante o percurso eu corri com quatro, cinco atrás da elite. Aí foi despistando todo mundo, ficou só três, depois dois. Já na Brigadeiro, o menino da elite sentiu, aí eu passei ele”, conta.

A subida da Avenida Brigadeiro Luis Antônio, trecho clássico e decisivo da São Silvestre, foi o momento em que a ficha começou a cair: “Chegou na Brigadeiro, aí é força pra quem tem, só alegria. Eu vi o povo vibrar, gritar, bater palma. Foi daquele jeito, emocionante pra caramba”.

De sonho de elite à meta da mudança de vida

O caminho até largar tão perto dos atletas de elite foi longo e planejado. “A minha meta mesmo era sair na elite da São Silvestre. Eu batalhava pra isso: correr atrás da federação, fazer as provas homologadas pela Federação Paulista, conseguir tempo oficial pra poder mandar. Não adianta pegar provinha daqui da região que não é oficial da CBAt, que não dá tempo (classificatório) pra sair na elite”, explica.

Agora, com o título amador na mão e prestes a completar 39 anos, Ademir projeta novos passos – dentro e fora das corridas. Além de seguir competindo em alto nível, ele estuda Educação Física em um curso, de olho em uma futura transição profissional. “O objetivo é deixar o trabalho e focar mais nessa parte de profissional da Educação Física. Essa é a meta que eu tô trabalhando pra conseguir”, afirma.

coletor de Mirassol campeão São Silvestre
(Foto: Divulgação)

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