O médico araçatubense Filipe Fornari acaba de concluir a Maratona de Tóquio e já traça um novo objetivo que move corredores do mundo todo: completar o circuito conhecido como Six Majors, formado por seis das provas mais tradicionais do planeta.
Entre consultório, treinos e viagens, ele transforma rotina apertada em combustível para performance. Agora ele quer buscar a “mandala” que simboliza a conquista das seis maratonas.
Mesmo ainda se adaptando ao fuso horário, falando do Japão — “estava em Tóquio e agora estou em Kyoto” —, Fornari resume a experiência com a sinceridade de quem conhece o próprio corpo: fez 3h10 em Tóquio, sentiu o peso das pernas depois do quilômetro 30 e viu o sub-3 escapar na parte final da prova.
Segundo ele, até a marca dos 30 km o ritmo indicava que a meta era possível, mas a combinação de logística, passeios e mudança de horário cobrou o preço na reta decisiva.

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De corredor a maratonista de majors
A história na corrida é mais nova do que o currículo sugere. Filipe conta que começou a correr em 2020/2021, inicialmente sem ligação direta com maratonas ou esportes de força, e foi evoluindo com ciclos de treinamento cada vez mais estruturados. Hoje, ele se define acima de tudo como triatleta, alguém que divide a preparação entre natação, ciclismo e corrida.
Dentro desse planejamento, as maratonas entraram como um projeto de longo prazo. Ele explica que existe um “programa” conhecido como Six Majors, reunindo as maratonas de Berlim, Tóquio, Nova York, Chicago, Boston e Londres. Na prática, para muitos atletas amadores, o maior desafio não é apenas correr 42,195 km: é conseguir inscrição, organizar viagem, ajustar calendário de trabalho e manter a consistência por anos.
Filipe já deu dois passos importantes nessa trajetória. O primeiro foi em Berlim, em 2023. O segundo, agora, com a conclusão de Tóquio, considerada por ele a mais complicada “pela logística” e por ser difícil de entrar. Ele cita que há caminhos como sorteio e também inscrição via doação — e que, a partir de agora, o plano é tentar as demais etapas “do jeito que der”, insistindo até encaixar as oportunidades.
Preparação em ciclo: Ironman, meia distância e maratona
No ano passado, ele completou um Ironman e, ao fim da preparação, realizou também uma prova de meia distância. Depois, já migrando o foco para corrida, fez uma maratona em Sorocaba no fim de novembro, quando correu 3h02, bem perto do sub-3 que buscava repetir no Japão.
Em Tóquio, o tempo de 3h10 veio com um diagnóstico claro: a prova saiu, mas faltou “perna” no trecho em que a maratona costuma cobrar juros de tudo o que foi feito antes. Para o médico, a diferença de fuso, a viagem longa e o desgaste natural de estar em outro país impactaram diretamente na fase mais dura da corrida.
Ainda assim, completar Tóquio tem um peso simbólico enorme. No universo das majors, cada medalha é um carimbo que não se repete, e, um passo concreto na direção do objetivo final.
Médico, nutrologia e inspiração no consultório
Além de atleta, Filipe carrega o olhar profissional de quem vive o esporte também no consultório. Ele explica que trabalha com nutrologia e medicina esportiva, atendendo muitos atletas e usando a própria rotina como exemplo para estimular pacientes a se movimentarem.
A forma como ele descreve o dia a dia mostra por que muita gente ao redor o vê como “referência”: “quando eles acordam eu já estou acabando os treinos”, conta, dizendo que muitas vezes faz um ou dois treinos antes que a agenda profissional aperte. A brincadeira que ouve com frequência: “doutor, quanto tempo tem seu dia?”. Isso traduz a imagem de disciplina que ele tenta passar: dá para treinar, trabalhar e ainda perseguir metas grandes, desde que o planejamento seja levado a sério.