Campeão olímpico Tande leva lições de liderança e reinvenção a evento em Araçatuba

O ex-jogador de vôlei e campeão olímpico Tande esteve em Araçatuba (SP) para uma palestra voltada aos colaboradores do Sicredi Alta Noroeste, durante a convenção que marcou os 25 anos da cooperativa.

Antes do evento, ele conversou com o Atletas do Interior sobre a transição que fez da quadra para a areia, do esporte para o empreendedorismo, e sobre os desafios atuais do vôlei brasileiro.

Tande campeão olímpico
(Foto: Atletas Do Interior/Divulgação)

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Da quadra às palestras

Ouro olímpico no vôlei de quadra e depois campeão mundial e “Rei da Praia” no vôlei de praia, Tande construiu a carreira de palestrante a partir da mesma lógica que aplicou como atleta: a de que ninguém pode se acomodar. Ele contou que cresceu em uma “família olímpica” (a irmã foi uma das primeiras mulheres a conquistar uma medalha olímpica pelo Brasil) e que aprendeu desde os 12 anos, nas categorias de base, a observar essas referências para evoluir.

“Sempre fui um camaleão. Fui campeão olímpico na quadra, depois campeão mundial e Rei da Praia no vôlei de praia. Antes mesmo de encerrar minha carreira esportiva, comecei a empreender. As pessoas têm muito medo das mudanças. Pensam: “E se eu perder meu emprego?”. Em algum momento isso pode acontecer. Depois de décadas em uma empresa, chega uma geração nova”, analisou Tande.

O esporte de alta performance funciona como um laboratório de adaptação constante, já que uma conquista de hoje pode ficar ultrapassada amanhã. Segundo o ex-atleta, foi esse raciocínio que o levou a migrar de carreira antes mesmo de pendurar a sunga, começando a empreender ainda como atleta em atividade.

Tande relembrou que, cerca de cinco anos atrás, terminava as palestras com a sensação de dever conteúdo ao público. Diante disso, tomou a decisão de se profissionalizar ao ponto de hoje ser considerado uma das referências do país nesse mercado.

Perda de espaço do vôlei

Questionado sobre a falta de entrosamento das atuais gerações do vôlei brasileiro, mais de três décadas depois do ouro olímpico de 1992, conquistado por uma geração da qual ele fez parte, Tande reconheceu que o esporte enfrenta dificuldades para reter talentos, disputando espaço com modalidades como o skate e o surfe, que têm mais apelo entre os jovens.

Ele citou o exemplo dos Estados Unidos, onde o entretenimento em torno dos jogos (como ativações de patrocinadores durante os intervalos das partidas), transforma a experiência do torcedor em parte do espetáculo, um caminho que, na avaliação dele, o vôlei também precisa explorar para voltar a atrair atenção.

“Você vê isso na NBA, na NFL e até na Copa do Mundo. A experiência do torcedor virou parte do evento. O vôlei precisa olhar para isso. Quando o esporte deixa de despertar interesse, perde talentos. Aquela menina alta ou aquele garoto que antes escolheriam o vôlei acabam indo para outra modalidade”, explica Tande.

O ex-jogador também apontou a redução das aulas de educação física nas escolas e o momento econômico do país como fatores que afastam o esporte da prioridade de muitas famílias, criando um ciclo que enfraquece a base de formação de nesses novos talentos.

Para ele, a ausência de novos ídolos no esporte também contribui para esse enfraquecimento, assim como aconteceu com sua geração, que foi inspirada por nomes como Renan, Bernard, Bernardinho e Montanaro.

Projetos sociais

Fora das quadras, Tande e a irmã mantêm projetos sociais no Rio de Janeiro que atendem mais de cinco mil crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.

“Já colocamos atletas na Seleção Brasileira. Em algumas comunidades, o Estado nem consegue entrar, mas nossos professores entram porque são respeitados. Esse é o poder do esporte”, explica o campeão olímpico.

Ainda segundo Tande, o esporte também contribui para a saúde pública, reduzindo índices de obesidade e doenças, além de ensinar valores como trabalho em equipe e o convívio com vitórias e derrotas.

Mensagem

Tande resumiu a mensagem central de sua palestra: a de que ninguém pode “parar no tempo”. Ele destacou a importância de equilibrar a experiência dos profissionais mais antigos com a energia das novas gerações, e defendeu que líderes precisam confiar em suas equipes para que elas ganhem autonomia, algo alinhado, segundo ele, às metas de expansão que o Sicredi projeta para 2030.

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