Para Nicolas Neves, a Copa AME é mais do que trabalho. É a continuidade de um projeto criado pelo pai, Walter “Waltinho” Neves, fundador da competição, que morreu durante a pandemia de Covid-19. Nicolas morava na Irlanda quando precisou decidir se voltaria ao Brasil para assumir a Copa. A escolha significava deixar a vida que havia construído fora do país e também abrir mão de outros planos profissionais.
“Acho que meu pai sonhava com tudo isso. O maior sonho dele era que as crianças tivessem um contraturno focado no esporte e pudessem melhorar de vida por meio dele”, afirma.

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A decisão de continuar o trabalho do pai começou a ser tomada ainda durante o velório. “Árbitros, treinadores, familiares e amigos se reuniram comigo e disseram que, se eu não assumisse, a Copa perderia a essência. Foi a decisão mais difícil da minha vida. Eu tinha uma vida legal na Irlanda e sabia também que poderia deixar de lado o sonho de trabalhar dentro do campo, como sempre quis.”
Nicolas voltou e assumiu a organização. Desde então, procura manter a proposta que, segundo ele, sempre norteou o trabalho do pai: fazer do futebol uma oportunidade para crianças de diferentes realidades sociais.
“O futebol para a minha família é praticamente tudo. É meu trabalho, minha paixão e o que vivo diariamente. Nunca foi feito por dinheiro, mas por amor. Os resultados são consequência de um trabalho feito com carinho.”
Uma das lembranças mais fortes que guarda de Waltinho são as finais dos campeonatos. “Lembro muito dos discursos que ele fazia nas finais, agradecendo a todos. Eram palavras marcantes, sempre com aquela energia de dever cumprido.”
Neste Dia dos Pais, Nicolas diz que gostaria que as famílias olhassem menos para o placar e mais para aquilo que os filhos vivem por meio do esporte. “Gostaria que os pais levassem para casa a importância de os filhos fazerem uma atividade, independentemente do resultado dentro de campo. Isso é o que menos importa.”
Pai na arquibancada
A algumas partidas de distância da organização da Copa, André Luiz Pinheiro de Carvalho, de 52 anos, profissional de educação física, acompanha outra história. O filho, João Pedro Rossi de Carvalho, de 11 anos, começou a demonstrar interesse pelo futebol aos quatro.
“Tudo começou quando ele tinha quatro anos e gostava muito de brincar com a bola. Eu e minha esposa, Camila, sempre incentivamos e brincávamos com ele em casa”, conta André.
João começou no Clube Monte Líbano, mas teve a trajetória interrompida pela pandemia. Voltou ao futebol entre os seis e sete anos e conquistou o primeiro título. Depois passou pelo Cetac e atualmente joga no BS Soccer.

André esteve presente durante todo esse caminho. “Foi nos campeonatos da Copa AME que conseguimos perceber a felicidade dele jogando e também o potencial que tinha. O esporte fortaleceu nossa relação. Ele une e ensina respeito.”
Para João Pedro, ter o pai acompanhando os jogos também faz diferença. “É muito bom. Eu sempre gosto de ver ele lá me acompanhando e procuro jogar melhor.”
Mas existe uma regra entre os dois. “Não gosto quando ele fica gritando. Sempre peço para não gritar, só vibrar”, diz João Pedro.
Entre gols, vitórias e derrotas, uma final do Sub-10 ganhou lugar especial nas lembranças do garoto. “Marquei um gol na final, fui campeão, artilheiro e escolhido como destaque do campeonato. Mas todos os campeonatos são marcantes, mesmo aqueles que a gente perde.”
Para André, é justamente o tempo passado ao lado do filho que ficou mais importante com o futebol. “O esporte ajudou a fortalecer esse vínculo pelo amor e pelo carinho de estarmos sempre juntos.”
São histórias diferentes dentro da mesma competição. Nicolas encontrou no futebol uma maneira de continuar o trabalho iniciado pelo pai. André encontrou nele mais uma forma de acompanhar de perto o crescimento do filho. No Dia dos Pais, a Copa AME reúne os dois lados dessa relação: filhos que seguem os passos dos pais e pais que fazem questão de estar por perto enquanto os filhos encontram o próprio caminho.

