Aos 13 anos, a atleta de Rio Preto (SP) Alice Rodrigues Chederolli viveu um fim de semana inesquecível no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
No dia 7 de dezembro, ela foi campeã mundial kids de jiu-jitsu pela CBJJE, após uma campanha perfeita com três vitórias vitórias por finalização em três lutas. O resultado consolida a jovem lutadora entre os principais nomes de sua categoria no país e coroa um ciclo de crescimento que já a coloca no topo de rankings importantes da modalidade.

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Conheça a trajetória de Alice
A jovem competiu na categoria Infanto-Juvenil A feminino até 59 kg, faixa-branca e não deixou dúvidas sobre sua superioridade técnica: todas as lutas foram vencidas por finalização.
A façanha ganha ainda mais peso quando se considera o contexto. Foi uma competição grande, em um dos ginásios mais tradicionais do país, e a própria atleta admite que sentiu o peso do momento. “Foi uma competição muito emocionante, eu fiquei muito nervosa e ansiosa”, contou. Ainda assim, conseguiu transformar nervosismo em desempenho e, luta a luta, foi impondo seu jiu-jitsu até chegar ao lugar mais alto do pódio.
O Mundial da CBJJE também teve uma diferença marcante em relação a outras experiências recentes da atleta. No campeonato brasileiro, disputado em julho, Alice pôde entrar acompanhada na área de luta. No Ibirapuera, porém, o regulamento determinava que ela entrasse sozinha. “Durante a espera para ser chamada para lutar ninguém podia entrar comigo, foi uma experiência bem diferente”, relata.
Enquanto ela aguardava na concentração, pais, amigas e os dois professores que acompanhavam a equipe ficaram na arquibancada, na torcida e na ansiedade. Assim que ela pisava no tatame, o “griteiro” tomava conta do ginásio, gerando um misto de apoio, emoção e tensão a cada minuto.
A sequência de lutas no Mundial também foi um teste de resistência física e mental. Alice fez três combates quase em sequência. “Eu fiz a primeira luta, voltei para a concentração, deu dois minutos e já voltei para fazer a semi. Eu ganhei a semi e já fui fazer a final direto, nem descansei”, lembra.
Segundo ela, mal houve tempo para respirar: saiu do tatame, conversou rapidamente com o árbitro e retornou para a decisão. O cenário era ainda mais desafiador porque a adversária da final estava estreando no evento, ou seja, chegava descansada, enquanto Alice vinha do terceiro combate seguido. “Eu estava bem cansada e a adversária estava descansada… mas foi na raça e na coragem, não deu nem tempo de beber água entre uma luta e outra”, conta.
Sonhos e metas para a carreira que está só començando
O título mundial coroa um ano de conquistas para a jovem atleta. Hoje, Alice é líder do ranking do CIJJ (Circuito Interior de Jiu-Jitsu) e ocupa o 1º lugar também na CBJJE, na sua categoria, reflexo de uma rotina intensa de treinos e de um comprometimento incomum para alguém de 13 anos.
No tatame, já demonstra postura competitiva de atleta formada; fora dele, segue construindo sonhos e objetivos com a naturalidade de uma adolescente que encontrou nas artes marciais o seu lugar.
A base dessa trajetória vem de longa data. De acordo com a mãe, Ana Carolina Rodrigues Chederolli, Alice começou aos 6 anos no judô e já acumula sete anos na modalidade, além de dois anos dedicados ao jiu-jitsu.
Antes de conhecer os tatames, era bailarina, mas decidiu deixar o balé para lutar. A mãe, que acompanha de perto a rotina da filha, conta que o apoio vem sempre aliado à responsabilidade. “Sim, ela sonha, eu incentivo muito ela e cobro bastante referente aos estudos”, afirma. O sonho de Alice vai além dos tatames: ela quer ser faixa-preta tanto no judô quanto no jiu-jitsu e, no futuro, seguir carreira como policial.
