O judoca paralímpico Antônio Tenório esteve em Araçatuba (SP) nesta quinta-feira (24), participando da Semana Move, promovida pelo Sesc na sede do Sesi da cidade.
Considerado o maior judoca paralímpico de todos os tempos, Tenório conduziu uma vivência prática, um bate-papo sobre sua trajetória e demonstrou técnicas da modalidade para os atletas presentes.

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Uma lenda do judô paralímpico
Natural de São Bernardo do Campo, Tenório começou no judô aos 10 anos de idade, no Círculo do Menino Patrulheiro de sua cidade natal. “Meu primeiro professor chamava Vivaldo Gomes. Ele era da Força Tática e ali ele começou a me ensinar os primeiros passos do judô”, contou o atleta.
Ainda muito jovem, disputou seu primeiro campeonato e logo passou a se destacar nas competições internas. “Peguei gosto, depois vieram os campeonatos internos, até que um dia o professor Vivaldo chamou meu pai e falou que ali eu não poderia ficar mais porque eu tinha aptidão para aquela atividade. E ele pediu para estar me levando à Volkswagen para eu começar minha vida de competidor realmente”, relembrou.
Aos 13 anos, o judoca perdeu a visão de um dos olhos e, aos 19, ficou completamente cego, mas já era um competidor experiente do judô convencional.
“Eu não senti muito a perda da visão para a prática desportiva porque eu já tinha aprendido os meus movimentos enxergando. Então não senti dificuldade nenhuma de fazer a transição de uma pessoa que enxergava para uma pessoa que não tinha a visão”, afirmou. Foi em 1993, ao competir no Campeonato Paulista disputado em Registro, que Tenório conheceu o esporte paralímpico de alto nível.

Quatro ouros e recorde
De lá para cá, Tenório construiu uma carreira sem paralelo no judô paralímpico: são quatro medalhas de ouro consecutivas, conquistadas entre os Jogos Paralímpicos de Atlanta 1996 e Pequim 2008, além de um bronze em Londres 2012 e uma prata no Rio 2016.
Em Tóquio, contraiu Covid-19 no período preparatório e, mesmo assim, competiu, terminando em quinto lugar. “Desde 1996, vai fazer 30 anos que eu conquistei minha primeira medalha em Atlanta, e até hoje nenhum atleta do mundo conseguiu quatro medalhas de ouro consecutivas. Eu sou o único do mundo a conseguir isso”, disse.
Sobre o reconhecimento de ser considerado o maior judoca paralímpico de todos os tempos, Tenório dividiu o mérito com quem o cercou ao longo da carreira: “Para mim foi uma honra muito grande ser o maior atleta paralímpico do mundo. Mas atrás de mim tinha uma equipe que trabalhava dia e noite para eu conseguir esses resultados”.

Aos 55 anos, ainda em atividade
Mesmo depois de quase 45 anos de judô, Tenório segue treinando e competindo. “Eu não sou muito fã de estar no master. Quando eu tô competindo, eu tô no meio da molecada, aquela que tem 18 anos acima, eu tô competindo junto com eles. Eu continuo ativo”, afirmou.
Sua rotina de treinos diminuiu de intensidade nos últimos dois anos, período em que deixou de integrar a Seleção Brasileira. “Hoje a minha carga de treinamento diminuiu um pouco dentro do judô, porque também vai fazer dois anos que eu não faço mais parte da Seleção Brasileira, então há a necessidade de diminuir a carga. Mas sempre tô no Centro de Excelência treinando com os melhores atletas do estado de São Paulo”, contou.
Para o futuro, o judoca planeja seguir ligado ao esporte por meio de palestras e, possivelmente, à frente de uma equipe. “A gente pensa sempre em estar envolvido com o esporte. E o caminho é eu estar fazendo palestra ou assumindo alguma equipe para estar dando aulas e treinamentos específicos da modalidade de judô”, disse.
Sobre ações como as promovidas pelo Sesc, Tenório destacou a importância de aproximar crianças e jovens de atletas de alto rendimento. “Eu estou trazendo motivação para essas crianças que não podem ter contato com um atleta de alto rendimento. O Sesc vem trazer esse primeiro contato da criança com esses atletas. Para mim, isso me mantém muito motivado para estar trazendo todos os dias um pouquinho do judô regular e um pouquinho do judô paralímpico para esse pessoal”, concluiu.
O judô do Sesi em Araçatuba
A atividade reuniu o time de judô do Sesi de Araçatuba, além de outros praticantes que acompanharam a vivência.
Ao todo, o judô da instituição na cidade conta atualmente com 290 praticantes entre crianças e adolescentes: 250 deles na iniciação esportiva e 40 competidores, divididos entre as categorias Sub-11, Sub-13 e Sub-15.
